Essa é uma carta do Pr.Caio Fábio, que se posicionou e enviou essa carta para a Bráulia, em resposta ao texto Alexandre postado ontem aqui. Ela foi tb uma benção e uma reflexão para nós.
Querida Bráulia e querido Reinaldo: Graça e Paz!
Li o texto que me foi enviado pelo Idauro, e me comovi profundamente com a dor de vocês, tão simples e verdadeiramente expressa pela Bráulia.
Você, Bráulia, e eu, já tivemos todas as chances de nos tornarmos mais próximos em razão de amigos comuns e de muitas identificações simples e práticas no Evangelho; e, além disso, muitos já fizeram tudo para que isto acontecesse, mas as circunstancias não permitiram; e a culpa é minha, não sua.
Não posso dizer que leio o que você escreve, que pesquiso, que estou informado sobre você em detalhes...
Sabia e soube de você mais pelo George Foster, pelo Pedro do Borel, hoje no Egito, pelo André Fernandes; e pelo Tiago da Jocum em Brasília, do que por quaisquer outros meios; e todos me dão o mesmo testemunho; sim, falam-me da carta escrita com amor de Deus em seu coração para com todos os que passam em seu caminho.
Entretanto, amiga no Senhor, somente Jesus nunca foi Levita e Sacerdote na Estrada, sendo sempre o Samaritano.
Sim, além Dele, todos os demais, somos samaritanos de vez em quando, e ficamos felizes com isso; embora, em nossa ignorância e distração, não registremos a quantidade enorme de vezes em que passamos de largo fazendo da agenda da estrada [...] o caminho de nossa pressa, e não fazendo a estrada submeter-se ao caminho interior, ao invés de seguir o roteiro da estrada...
Todos os dias vejo-me escolhendo apressadamente as agendas da Estrada enquanto negligencio a agenda do Caminho.
O levita e o sacerdote seguiram a estrada e seu “tempo”...
O samaritano seguiu o seu caminho...
A estrada, todavia, é apressada, diferentemente do caminho, que só segue quando tem a permissão da vida para passar...
Graças a Deus somos perdoados todos os dias pelas escolhas da Estrada contra as veredas calmas do Caminho!
Entretanto, o que desejo de coração dizer a você e ao Reinaldo, publicamente, visto que seu texto é público, é que nem você e nem ele têm esse poder todo!...
Sim, vocês não têm o poder de saber nada além do que se tornou história com as configurações de “história”... [...] de passado, portanto...
Na noite que me filho Lukas morreu atropelado saindo de uma festa com os irmãos, antes de ir ele me ligou, e me disse que estava meio cansado, a fim de dormir...; e que se fosse seria apenas pelos irmãos, e também porque lá haveria uma moçada da Igreja Presbiteriana Betânia que ele não via há muito tempo...
“Vá meu filho! Vai ser legal! A Bruna está indo só por sua causa... E ela já saiu!...” — foi o que eu disse; e ele foi...
O seriamente interessante em tudo isto é que por uma certeza mais profunda do que a morte dele naquela noite, eu sabia que não fora a “minha força” que o pusera no chão daquela estrada fria de Itaipú.
Havia um caminho naquela estrada que estava para além de mim!... — e certamente muito para além da própria estrada...
Sei a sensação de não atender a insistências que acabam de modo catastrófico. ..
No curso da vida já deixei para visitar no dia seguinte muita gente que morreu durante a noite; já adiei idas... [...] que se confirmaram atrasadas depois dos fatos...; já passei e soube que o “deixado” não resistiu...; já..., sim, já muita coisa...
Sei também que o nível de pessoalidade do conhecimento do moço que se auto-vitimou aprofunda qualquer dor; aumenta toda sensação de culpa; e exacerba as perspectivas de responsabilidade e de omissão...
Tais fatos, todavia, servem a nós de muitos modos quando o coração é como o de vocês...
A gente aprende que todos estão a um passo de qualquer coisa...
A gente aprende que por vezes nem todos os esforços do mundo mudam determinadas realidades.. .
A gente aprende que muita dor culposa que se sente decorre da culpa da bondade cristã salvadora..., a qual assume para si poderes de salvação que não estão em nossas mãos...
A gente aprende a discernir quais sejam as coisas que podem esperar ante um desespero [...] e quais as que não podem...
A gente aprende que nem todo desespero tem que parar o nosso caminho também...
A gente aprende, sutilmente, o que é agenda da Estrada e o que é agenda do Caminho...
Mas ninguém aprende isso sem se sentir Levita e Sacerdote de vez em quando; posto que nossos atos Samaritanos sejam emblemáticos, mas nossas omissões leviticas e sacerdotais sejam a regra na agitação de nossas inúmeras distrações...
O pecado é adotar o caminho do levita e do sacerdote como modo de se desviar de gente na estrada... Ora, esse jamais foi ou será o caso de vocês, graças a Deus.
Entretanto, o mesmo “samaritano” um dia deve ter tido seu dia de levita... Ou, então, ele seria Ele! E não era...
Assim, minha oração é uma só nesse particular:
“Senhor, faz de mim o samaritano possível no dia de hoje em minha existência! E salva-me dessa horrível tendência natural que tenho a, na estrada, preferir o omissão do caminho do levita e do sacerdote!.. .”
Sim, pois o mais devotado dos samaritanos tem seus momentos de pressa de levita e de sacerdote...
E mais:
Isto é assim para que todo ato samaritano de nossa vida seja pura glória e graça de Deus sobre nós; e não a fruto de nossa certeza de que em nossa existência não existem omissões...
Louvo a verdade de sua dor sincera e exposta de modo tão simples e franco.
Recomendo, no entanto, que essa dor se torne louvor Àquele que amava o Alexandre, e que o ama; e mais: que o tem em Seu seio; pois..., quem danou o Alexandre apenas por que a dor de sua perturbação mental o levou a um desatino?...
O Alexandre, sim, o do salmo, o que buscava consolação onde há consolação, era apenas um jovem em estado de perturbação adquirida pelo vício; mas não era filho do inferno...
Nenhum diabo teve o poder de tirar o Alexandre das mãos do Senhor Jesus!
Assim como nenhum diabo tentará [e vencerá] vocês com a culpa de que vocês poderiam ser os salvadores do Alexandre e não o foram!
Manos amados, também isto Está Consumado!
Recebam meu amor e meu carinho sincero e cheio de orações!
Nele, em Quem nenhum de nós tem o poder de salvar, mas apenas o de cooperar com o Salvador, o qual salva com ou sem nós,
Caio
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